A China que conheci!

04/07/2018

                                                                                                                                                                                             MSc. Marta Buffon Martins

A partir da decisão de viajar mais, surpreendi a mim mesma quando escolhi a China como destino. Para mim, a China sempre foi cercada de um certo mistério e desafio. Falava da China como alguém que lê as histórias nos livros, nas mídias e nos relatos de clientes.

O período da viagem estava definido: maio de 2018.

E agora, como será esse “novo” mundo que parecia impossível de ser visitado? E a distância? E o mandarim? E a comida? Será que o melhor seria um período de férias em outros países?

Decisão tomada, será à China! Aproveitei a oportunidade de acompanhar um cliente na visita a fornecedores e a uma feira do setor metalmecânico para conciliar com a minha vontade.  Carta-convite e visto aprovado,  agora seria o tempo e a distância para chegar nesse país de 1.397 milhões de  habitantes.

A primeira parada foi em Xangai. O centro financeiro é surpreendente pela imponência dos prédios e infraestrutura da cidade, mas o que chamou atenção foi a beleza dos jardins e o cuidado com as flores.  As árvores plantadas em cada metro de terra existente e as flores compensaram a dificuldade de ver a luz do sol atrás da espessa camada de poluição. Logo recebemos a informação de empresários que a meta do governo é melhorar a qualidade do ar e da água nos próximos anos, com ações efetivas em andamento.

Na pequena amostra de cinco fornecedores visitados, encontramos fábricas automatizadas e com processos de gestão enxutos e bem definidos. As plantas são verticais, com máquinas de última geração nos processos produtivos. Robôs assumindo células de trabalho. Estoques automatizados, sem a necessidade de pessoas para separação de componentes. Pessoas trabalhando em condições normais de trabalho, usando equipamentos de segurança. A visão foi diferente daquela que circulava na internet, que mostra pessoas em condições precárias de trabalho.

No relacionamento e nas negociações com os fornecedores, também algumas lições aprendidas. Os profissionais se comunicam muito entre eles, discutem as ideias e depois transmitem o resultado. O retorno dado sempre prioriza o foco do cliente, ou seja, realmente oferecem uma solução e buscam superar todas as dificuldades e causar o mínimo de desavença com o cliente.

A feira em Dongguan apresentou o que já vimos nas fábricas, grande parte dedicada a exposição de robôs e a menor parte do espaço para máquinas e componentes.

Na estação de trem, em deslocamento para o sul (600km em 3h), encontramos um mar de pessoas e recebemos ajuda de um desconhecido para trocar o bilhete. Em conversa informal com estudantes durante a viagem, os mesmos relataram que as pesquisas mostram que 80% dos chineses entendem que a situação deve melhorar mais ainda nos próximos cinco anos e aprovam a forma de condução da economia. Parecem otimistas, são amáveis e em geral, demonstram estar felizes. 

Constatamos muita gentileza nos relacionamentos e segurança nos deslocamentos, sem medo de assaltos ou de qualquer sinistro. Substituímos os aplicativos WhatsApp e Uber pelos nativos WeChat e DiDi Chuxing e, tudo certo!

O idioma não foi o problema, se não falavam inglês, a boa vontade em ajudar assumia o papel. Recebemos muitos presentes, chás, frutas, artigos locais, o que exigiu uma mala adicional para a volta. Quanto a comida, os frutos do mar foram os meus preferidos no cardápio. A carne de cobra, deixei para os mais ousados experimentarem.

A distância e o tempo para chegar e retornar é imenso. Somente após uma viagem se entende o raciocínio de que a China é distante. Será que a China está longe ou nós é que estamos longe da China? O processo de crescimento é intenso, com proporções muito maiores do que o padrão. Além da necessidade visível, identifica-se  a vontade de buscar um grande desenvolvimento econômico. Os números expressam esse resultado conforme divulgado pela Folha de SP, em abril 2018: A economia da China cresce 6,8% no primeiro trimestre de 2018 e a produção industrial cresceu 6% no mesmo período.

A China é desafiante e deve ser compreendida e acompanhada pelas organizações que querem fazer a transição do Século XX para o Século XXI. Participar desse contexto ou apenas aprender algumas lições faz parte da nossa função de administradores.

Adorei a viagem e agradeço ao nosso cliente por essa grande oportunidade!

 

 

 

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