Ambiente de trabalho escravizante

29/08/2018

                                                                            Autora: Patrícia Eloisa Rech

                                                                                        AMBIENTE DE TRABALHO ESCRAVIZANTE

       Foi durante o pós-guerra, nos anos 50, quando perto de um terço dos executivos americanos morria nos escritórios, muitos fulminados por um ataque cardíaco, que surgiu o que conhecemos por RH moderno. De responsável por folhas de pagamento, a área de recursos humanos ganhou status e foi avançando cada vez mais sobre a rotina dos profissionais. Não havia então muita preocupação em melhorar o bem-estar das pessoas. O objetivo ali era mais claro e urgente: formar “líderes” para substituir aqueles que estavam tombando sobre as mesas. Mais de meio século se passou, mas a cartilha que dita as regras de como gerir pessoas segue basicamente a mesma, acrescida de meia dúzia de benefícios que variam de acordo com as leis trabalhistas de cada região.
       Atualmente podemos conferir iniciativas de reinvenção desses ambientes, empresas estão mudando a forma de contratar profissionais e oferecendo benefícios que vão além daquilo que, por lei, ainda é direito do trabalhador. Elas coletam e analisam dados dos funcionários e, com base nas informações, definem as práticas que melhor atendam às necessidades daqueles que já trabalham por lá ou têm potencial para serem contratados. 
       Essas companhias estão seguindo uma das principais tendências em gestão de pessoas, a “consumerização”. É uma palavra feia com significado simples – tratar candidatos e trabalhadores com todo o cuidado dispensado ao consumidor. Podemos citar como algumas práticas já implantadas nesse conceito:
       - PepsiCo: oferta de vagas com exclusividade a pessoas que, por motivos diversos, ficaram de dois a cinco anos afastadas do mercado de trabalho.
       - Facebook: licença-paternidade de quatro meses. Ao oferecer ao pai o mesmo período de licença concedido à mãe, as empresas estão fazendo um bem também às mulheres, porque isso fortalece que todos têm exatamente a mesma responsabilidade em relação a um filho. 
       - Microsoft: licença especial remunerada permite aos funcionários se ausentar do trabalho por até quatro semanas por ano para cuidar de algum parente ou amigo com problemas de saúde. O profissional recebe o salário integralmente durante o período. 
       - Intuit: incentivo à meditação com sessões coletivas na empresa, oferecendo aplicativos específicos de mindfullness e sala individual para a prática. Incentivo para participação de causas sociais, com folgas para os funcionários se dedicarem às atividades.
       A Sommet Education, instituição suíça de escolas na área de serviços de luxo, realizou pesquisa para entender perspectivas de carreiras e preferências em relação ao tipo de empresa em que jovens gostariam de trabalhar. A possibilidade de aprender de maneira contínua em um ambiente amigável que respeite as individualidades estava entre os itens no topo da lista. Em suas projeções, esses jovens trocarão de emprego pelo menos quatro vezes ao longo da carreira, mantendo uma prioridade: o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
       Trata-se de um retrato importante por definir as preferências de um grupo que já imprime necessidades e demandas aos ambientes organizacionais.
       Ainda temos um longo caminho a percorrer para esse novo olhar para as pessoas e ambientes de trabalho, entretanto é fundamental realizarmos as reflexões e análises para a adequação dos negócios garantindo assim a evolução e sucesso de todos.

 

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