“Se pela manhã você souber com precisão como será o seu dia, você está meio morto – quanto mais precisão, mais morto você está. ”

Nassim Nicholas Taleb

Quando tínhamos uma menor influência digital e o máximo da interação estava em e-mails e ICQs, desenvolvíamos atividades seguindo um “modelo industrial”. Ao iniciar uma tarefa havia um roteiro pré-determinado para tal. A atuação se dava pela lógica linear, sequencial.

Hoje, os meios que utilizamos para realizar alguma tarefa, ler um livro, ver um filme, escrever um post, atender clientes, preparar relatórios, executar compras, entre outras atividades, são digitais. 

Felizmente, o ambiente digital nos permite maior acesso, maior interação, mais informação. E, com isso, espera-se que tenhamos uma conclusão mais rápida e de maior qualidade naquilo que estamos realizando, bem como que sejamos mais criativos na busca de soluções.

É isso que tem ocorrido?

Sabemos que em algum momento do nosso dia “nos perdemos” e o que foi planejado, acaba não acontecendo.

Estamos na era do pensamento não-linear!

Ao lermos um post, um artigo ou um e-book surge o nome de um autor que não conhecemos ou que temos interesse em conhecer.

Neste momento, abrimos aquele “link” para conhecê-lo. 

E o nosso pensamento começa a trilhar um novo caminho.

“É só uma olhadinha!

Acessa o Google! (isso quando já não há o link para o Wikipedia, que facilita, né?)

Vê um livro do autor e fica surpreso, pois escreveu um romance que há muito gostaria de ler.

Clica no link da Amazon. “Já tenho conta“.

Que tal pedir a Amostra”. Wi-fi ok. Recebe a amostra.

Ler uma amostra é rapidinho! “

E quando vemos a cidade de nascimento do autor?

“Ah que vontade de saber mais sobre essa cidade histórica

Pronto, começa a viagem!

“Quantos museus, e que lindos são os parques.

“Esse museu tem um tour virtual!”

Entrei no museu. “Que música! Esse instrumental é Hans Zimmer? “

Shazam – toque para o Shazam…ouvindo…

“É do filme Interestelar.” 

“Para quais outros filmes ele fez trilha sonora?”

….

Passou uma hora. “O que mesmo eu estava fazendo?

O caminho de volta é o grande desafio!

O caminho de ida, aquele no qual nos “perdemos”, segue a trilha denominada pensamento não linear. Não há mais uma sequencia pré-determinada e reproduzível e, na maioria das vezes, não estamos conseguindo “segurar”.

O pensamento não linear, que leva à estratosfera exponencial, é benéfico por aguçar o conhecimento, provocar insights, mobilizar a criatividade e fazer a conexão ao entorno e suas interrelações. Para o autor Murilo Gun, a pessoa que faz essa trilha é denominada como ser um profissional “T”.

Como tomar o caminho de volta?

Para voltar, é necessário ter disciplina diante de tantas influências e de tantos “disparadores” para a perda de foco.

Como equilibrar?

Primeiramente, concentrar-se naquilo que necessita ser feito, está sendo feito, em quanto tempo deve ser feito e qual o resultado a ser entregue.

Foco no objetivo e no resultado.

Estar presente naquilo que precisa ser feito.

Se estou presente, consigo voltar.

Um ponto-chave é o equilíbrio entre atender o planejado e ter esse espaço para “se perder”. Uma vez que isso é inevitável e, muitas vezes, necessário.

Há ferramentas free para programação e acompanhamento das atividades, como, por exemplo, Trello e Slack. Há lembretes e calendários no smartphone que podem estar sincronizados com a estação de trabalho.

Há o conhecido post-it. 

E o (famigerado) papelzinho!

Agora, como já sabemos que não há mais precisão na definição do nosso dia-a-dia e que “perder-se” faz parte do novo mundo.

Isso não deve ser desanimador e nem dar o entendimento de que é assim mesmo, e que temos que aceitar.

Mas, sim, precisamos aprender a lidar e a buscar os benefícios do pensamento não linear nas atividades diárias.

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